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Cambio de ciclo e disoluçom da AMI

Depois de algo mais de vinte anos de trabalho nas ruas sob o nome de Assembleia da Mocidade Independentista, na XI Assembleia Nacional da organizaçom decidimos que a história das nossas siglas chegava até aqui.

Entendemos as organizaçons -a nossa e qualquer umha- como ferramentas ao serviço de umha luita, e a sua adequaçom para esta é a sua razom de ser. Após um profundo processo de reflexom e debate interno, cosideramos que hoje a ferramenta que temos nom se adequa às condiçons e necessidades actuais. AMI acaba o seu ciclo, tendo servido de escola para várias geraçons de militantes. Foi umha parte fundamental do movimento de libertaçom nacional, que ligou a luita dos anos oitenta com novas geraçons até hoje. Contribuímos à luita como melhor soubemos faze-lo; construíndo alternativas, enfrentando a opressom e resistindo dignamente a repressom.

O contexto de hoje pouco tem a ver com o de finais dos noventa ou mesmo com o primeiro lustro de 2000; e a referencialidade de AMI também se resitua num panorama no que várias organizaçons independentistas concorrem por um lugar relativamente similar nos seus posicionamentos.

A análise polo miúdo da qual parte esta decisom será publicada num dossier mais amplo, no que se tratará o contexto nacional e se desenvolve umha tese ideológica.
Fizemos umha importante autocrítica; a debilidade organizativa em este momento é acusada; a nossa organizaçom exige um alto nível de compromisso, conleva repressom quotidiana (pressom policial, intentos de inflitraçom, multas e processos judiciais, companheiras em prisom, potencial ilegalizaçom…) e implica mudanças vitais no dia a dia que representam todo um repto para a mocidade que se decide a assumi-las. Assumir os riscos inerentes à luita, e ter recursos para enfrentar a repressom é umha alta exigência. Isto mingua o número de pessoas dispostas a organizar-se num contexto como o nosso, mas nom soubemos readaptar os objetivos nem táticos nem estratégicos, o qual provoca umha maior dificuldade e frustraçom na consecuçom dumha metas pensadas para umha estrutura política, combativa, pública e a nível nacional. E assim converte-se numha pescadilha que se morde a cola. Marcamos uns objectivos, nom se cumprem, desmotivamo-nos. Estamos desmotivadas, nom cumprimos os objetivos… Esta debilidade nom atrae a gente nova, e a que se achega satura-se rapidamente com muita carrega de trabalho e pouca celebraçom de metas satisfatórias.

Ademais, a dia de hoje outras tres ou quatro organizaçons juvenis identificam-se sob a proclama “independência e socialismo”, acarrejam menos custos repressivos, e vem-se amparadas por organizaçons adultas de referências que que as apoiam. A Assembleia nom está já a desenvolver um papel fundamental no MLNG, entendida no modelo clássico em que foi formulada.

Mas, seguimos a considerar a autoorganizaçom da mocidade um primeiro passo imprescindível para a revoluçom, queremos investigar mais fórmulas, diferentes modelos. Consideramos que o atual estava a ser nos últimos tempos umha ferramenta com esclerose, que nos atava a um agir continuísta e cuja responsabilidade de “manter a linha, o discurso ou o método” nos limitava demasiado.

Precisamos organizaçom e ferramentas para resolver a necessidade inadiável de defendermos-nos das agressons, do espólio e do deserto. Expulsar a Espanha do nosso país. Queimar o dinheiro. Dispor de comida, teito e afectos. Para todas todo. Som estas as necessidades, o significado da reclamaçom de justiça. Autodefesa frente os maus tratos em hospitais ou comissarias, em manifestaçons ou na família, nas escolas, em nós mesmas, também. Poder viver dignamente quer dizer criar um outro imaginário. Nom se trata apenas de mudar as relaçons de produçom; também de reproduçom e significaçom social. Pór em valor umha forma de vida e de relacionamento com o contorno bem diferente ao actual. Saír do espetáculo que nos invade -do que a maioria de nós já somos nativas- e reconstruír a naçom.

Se coletivamente isto nom se pom como ponto primeiro da ordem do dia, e se concreta em soluçons tangíveis que poidamos construír nós desde já, resulta inútil berrar consignas que se percebem abstratas para boa parte da nossa geraçom. Pintadas e cartazes a reclamarem o nom desmantelamento do refugalho paternalista do Estado que pretendemos combater, ensino digno, pedir trabalho em vez de planear a sua aboliçom? Temos que construirmos nós, desde já, espaços liberados. Fazer política fora das assembleias. A super-estrutura destrói-se desde aqui.

Faltou-nos reconhecer antes ante nós próprias e ante as demais a virada ideológica que vimos desenvolvendo, mais marcadamente nos últimos dous anos: aproximaçom ao feminismo real e radical (levar a luita também aos espaços militantes, às casas e aos corpos), questionamento da figura do Estado -seja este qual for-, e crítica intransigente ao progresso como modelo desarrolhista e insustentável.

A falta de afirmaçom pública nestes novos plantejamentos ocasionou que fossemos acarretando com consignas que diluíam umha aposta decidida por modelos de intervençom política diferentes. Ao mesmo tempo os escassos referentes e apoio nesta linha -de construçom e combate- e o peso das expectativas -próprias e alheias- no desenvolvimento dum trabalho convencional pola nossa parte nom facilitarom o trabalho. Cada nova geraçom de jovens que entrava na AMI herdava o que a anterior tinha deixado, e o que se espera de ela.

O nosso trabalho pretende sair da lógica política da representaçom e concorrência, entendemos que isso nom serve para contruir umha organizaçom revolucionária, e muito menos para um país livre. É difícil fugir do espetáculo, mas a militáncia nom é apenas um lugar onde aguentar por ter a consciência tranquila. Nom estamos nisto apenas por acha-lo eticamente correto, mas porque queremos vencer. E para isso nom abonda com estar, mas com avançar. O acomodamento pode acontecer facilmente, rotina, repetiçom, e talvez algumha falta de humildade, para repensar perguntas que achamos respostadas. Atomizou-se a identidade de classe. Varrem-se as trincheiras. Nom podemos obviar as mudanças de contexto se queremos intervir.

Temos caído no ativismo, e no círculo vicioso do autoconsumo, muito frequente na esquerda. Num contexto de perpétuo presente, entendemos ativismo como a repetiçom da atividade, fazer algo acontecer, independentemente de que isto condicione a situaçom para a sua superaçom. Dedicamos enormes esforços a celebrar efemérides, respostar agressons em base à agenda mediática do inimigo e realizar propaganda do modo que nos aprenderom que isto se fazia. Mantendo-nos aí, no jogo, sem que a acumulaçom de forças mude e sem melhorar as nossas próprias condiçons vitais. Enquanto a pobreça e a destruçom avançam como apisonadoras de cemento esmagando o mundo. Enquanto o capital caníval viola tanto o que se move como o que fica quieto. Enquanto o patriarcado apodrece a carne da gente.

O que pretendemos mudar som as condiçons de vida, os valores, o idioma-mundo. A nossa geraçom nom conhece um convénio laboral nem um Estado de Dereito. De que falam quando falam de Dereito ao trabalho? Dereito à vida? Dereito de autodeterminaçom? Santainquisición. Santaconstitución. Santohipermercado. Santatecnologia. Estamos ante um panorama que exige análise permanente, audácia e acçom, e pensamos que manter-se insistindo em dinámicas fossilizadas nom nos achega à vitória. Nom queremos nem podemos acomodar-nos, mas otimizar as forças, golpear no lugar certo, construir o imprescindível, manter viva a tribo. Com esta decisom nom estamos a renunciar aos nossos horizontes; apenas pretendemos aperfeiçoar as armas.

Que questionemos o modelo organizativo no que nos vinhamos enquadrando nom significa que agora tenhamos nenhuma soluçom mágica nem resposta exata, mas nom queremos perpetuar a lógica da convençom se nom está a dar os frutos que precisamos. Achamos mais interessante dedicar esforços a ir vendo novas possibilidades de criar fendas e ir rachando o que nom vale.

O que queremos deixar claro é que isto nom é um abandono, mas um novo chimpo cara adiante, um nom apegar-se às siglas e saber soltar lastre quando a ferramenta já deu todo o que puido dar de sim. Que foi muito. Centos as moças que passamos por esta organizaçom, e o construido botou raízes, e o pelejado curtiu os medos, para seguir até a vitória.

Este novo ciclo nom é apenas final, mas princípio. É umha reformulaçom necessária para trabalhar de maneira efetiva. Foi precisamente o trabalho, a reflexom profunda a respeito da situaçom atual e a análise estratégica de contexto o que nos leva a tomar esta decisom. Temos claro que precisamos a independência. Temos claro quem som os nossos inimigos. E que esta guerra imposta é dolorosa, mas pelejaremos com alegria, por ser a única maneira de seguir vivas. Se nom se dança, nom é revoluçom. Ir pouco a pouco cuspindo a intoxicaçom patriarcal. Construir fora do capital. Reconstruir-nos indígenas, lumpem-proletárias, incontroláveis. Somos bruxas. E podemos ser piores.

Vemos-nos nas ruas!

Denantes mortas que escravas!

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